Ibovespa cai aos 118 mil pontos após nova investida de Bolsonaro sobre a Petrobras

Mercado reage com aversão ao anúncio de mudanças na estatal feito pelo presidente nesta quinta-feira

Como já era esperado, o mercado reage com grande aversão às novas investidas de Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a Petrobras. Por volta das 12h40, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, recuava 0,47%, aos 118.644 pontos, puxado principalmente pelos papéis da estatal. A ação preferencial (PETR4) recuava 4,85%, enquanto a ordinária (PETR3) registrava baixa de 5,84%. O pregão da véspera fechou em queda de 0,96%, aos 119.198 pontos. O dólar também operava em baixa, a despeito das tensões políticas e a apreensão com a retomada do auxílio emergencial. A moeda norte-americana recuava 1,15%, a R$ 5,378. Na máxima, a divisa chegou a bater R$ 5,469, enquanto a mínima não passou de R$ 5,369. Nesta quinta-feira, 18, o dólar encerrou o dia a com avanço de 0,47%, a R$ 5,441.

Os investidores repercutem negativamente as declarações do presidente sobre mudanças na Petrobras, após a estatal anunciar novos reajustes na gasolina e diesel nesta quinta-feira. Em sua live semanal, Bolsonaro criticou o aumento e disse que alguma coisa vai mudar na Petrobras nos próximos dias. Apesar de afirmar que ele não possui controle da empresa, mercados enxergaram nas falas do presidente uma nova ameaça de ingerência nos preços dos combustíveis. Em entrevista à Jovem Pan, Adriano Pires Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), ressaltou o impacto da declaração nos negócios da estatal. “Ao falar isso, pode acontecer alguma coisa hoje, amanhã. Não é uma boa fala. O mercado vai reagir em relação a isso. É uma mensagem cifrada, e a gente não sabe o que vai acontecer. O presidente é muito imprevisível, então pode acontecer de ele tirar o presidente da Petrobras, e também pode ser que não aconteça nada.”

Bolsonaro também anunciou mudanças na taxação federal sobre gás de cozinha e diesel a partir do dia 1º de março. Segundo ele, após reunião com o ministro Paulo Guedes e com a equipe econômica, o governo federal decidiu fazer mudanças nos impostos a partir do próximo mês. “A partir de 1º de março não haverá mais qualquer tributo federal no gás de cozinha, ad eternum. Não haverá qualquer tributo federal no gás de cozinha, que está em média hoje R$ 90 na ponta da linha, lá para o consumidor”, afirmou. Segundo o presidente, além do GLP, o diesel também terá a anulação dos tributos federais a partir de março. No caso do combustível, a diminuição do valor valerá por dois meses.

Ainda no noticiário doméstico, investidores seguem acompanhando as negociações para a volta do auxílio emergencial. Líderes do Congresso fecharam acordo com o governo federal para colocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial em votação na próxima quinta-feira, 25. O texto, que apresentará a cláusula que dá brecha para a retomada do benefício, deve ser entregue aos líderes pelo relator, senador Márcio Bittar (MDB-AC), nesta sexta-feira. A expectativa é que a PEC avance sem grandes percalços e seja aprovada até 3 de março. Segundo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o projeto trará a cláusula do orçamento de guerra que tira do governo federal a responsabilidade de cumprir a regra do teto de gastos. “Essa aprovação pelo Senado Federal permitirá, através de uma cláusula de orçamento de guerra, cláusula de calamidade, para que se possa ter brecha necessária para implantar o auxílio emergencial no Brasil.”

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