‘Não temos atrito com o Butantan, temos contrato’, diz secretário do Ministério da Saúde

Embora negue rusgas na relação, Elcio Franco reconhece que é necessário uma ‘comunicação clara’ entre as partes sobre possíveis atrasos na entrega dos imunizantes

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, garante que não há qualquer atrito do governo federal com o Instituto Butantan, responsável pela produção da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela instituição e distribuída em maior quantidade, atualmente, no país. “Não temos atrito com o Butantan, temos um contrato. É um parceiro de longa data, mais de 20 anos. O Ministério já colocou mais de R$ 4 bilhões no Butantan para pagar imunizantes. É o nosso maior produtor de soro, ele é um grande parceiro. A vacina contra a influenza também é produzida na Butantan, então é um grande parceiro. Não temos atritos”, disse durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta sexta-feira, 19.

Embora negue as rusgas na relação, o secretário da Saúde citou que é necessário uma “comunicação clara” entre as partes para que o Plano Nacional de Imunização (PNI) seja executado conforme as possíveis mudanças. “Não domino a linha de produção da própria Fiocruz, como não domino do Butantan. É importante que nós sejamos mantidos informados que qualquer problema, pode ser até na linha de produção, não de IFA. Estava trabalhando baseado em um cronograma, em um contrato feito entre as partes. Há um quadro de entregas de vacinas e prazos. Então é importante que nós sejamos atualizados e não havíamos sido, para que possamos fazer a previsão de distribuição para os estados”, disse. “Precisamos ter uma comunicação clara, tanto com a Fiocruz e o Butantan quanto com os demais contratados, que estamos em vias de fechar contratos, para saber de eventuais atrasos ou antecipações nas produções. De forma que possamos planejar e destiná-las aos estados, que vão fazer os seus planejamentos locais e destinar aos municípios. Também é importante que consigamos definir os grupos prioritários que serão cobertos naquela etapa da vacinação”, afirmou. A declaração acontece após a instituição rebater falas sobre os atrasos nas entregas. Nesta quinta-feira, a pasta da Saúde confirmou a redução da entrega prevista para fevereiro, de 9,3 milhões de unidades do imunizante para 2,7 milhões, e falou sobre descumprimento de contrato. Em resposta, o Butantan citou como causador da demora a dificuldade para importação do ingrediente farmacêutico IFA da China, devido a problemas de relacionamento entre os países.

Mesmo com as mudanças no cronograma, Elcio Franco acredita na manutenção da projeção feita pelo ministro Eduardo Pazuello, que prevê a imunização de metade da população até o meio do ano. Segundo o secretário, tanto o Butantan quanto a Fiocruz se comprometeram em ampliar a capacidade produtiva nos próximos meses para “compensar a defasagem”. A expectativa é que os laboratórios entreguem 100 milhões e 112,4 milhões de doses, respectivamente, ao governo federal. Além disso, a pasta da Saúde já manifestou desejo de adquirir outras 30 milhões de doses da CoronaVac, com entregas previstas até o fim de 2021. De acordo com o secretário, contratos com a União Química, que deve produzir a vacina russa Sputnik V no Brasil e com a Precisa Medicamentos, que importará imunizantes da Índia, estão “em vias de serem publicados e assinados”. Acordos com a Moderna, Pfizer e Janssen seguem em negociação.

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