Presidente da Argélia anuncia reformulação do governo e liberta manifestantes

O país deve passar pelas mudanças que foram exigidas durante os protestos do movimento Hirak em 2019, que deu fim ao mandato de quase 20 anos de Abdelaziz Bouteflika

O presidente da Argélia, Abdelmejid Tebboune, anunciou uma reforma do governo nesta quinta-feira, 18. Durante um discurso transmitido à nação, o chefe de Estado afirmou que o Parlamento será dissolvido e que novas eleições legislativas serão antecipadas para os próximos 90 dias. Além disso, o presidente garantiu a libertação de 30 ativistas que foram presos durante as manifestações realizadas em 2019 pelo movimento Hirak, que exigia a saída do ex-presidente Abdelaziz Bouteflika, prestes a completar 20 anos no poder. “Nós revisamos a Constituição, introduzindo liberdade individual e coletiva absoluta, reduzimos os poderes do presidente e agora decidimos dissolver a assembleia atual e abrir caminho para novas eleições. O próximo Parlamento será eleito sob o rigoroso controle da Autoridade Eleitoral Independente, longe de qualquer intervencionismo da Administração, incluindo do presidente”, detalhou Tebboune.

Contexto

Depois de liderar a guerra pela independência da França e desempenhar um papel importante no golpe militar que se seguiu, Abdelaziz Bouteflika foi o presidente da Argélia durante 20 anos. Depois de ser eleito pela primeira vez em 1999, o político foi reeleito sob acusações de fraude em 2004, 2009 e 2013, quando inclusive sofreu um acidente vascular cerebral. Mesmo com a saúde debilitada, em 2019 ele anunciou que concorreria a um quinto mandato, o que levou a uma onda de protestos do movimento Hirak. Como o país passava por uma crise política, econômica e social, Bouteflika acabou cedendo à pressão e renunciou ao cargo. Ele foi substituído interinamente por Abdelkader Bensalah até dezembro de 2019, quando uma nova eleição presidencial elegeu Abdelmadjid Tebboune.

Mesmo após a eleição de Abdelmadjid Tebboune, o pessimismo continuou existindo entre os argelinos. As manifestações pararam de acontecer, mas a pandemia do novo coronavírus impactou fortemente o país e levou a uma crise exacerbada pelas fracas reservas cambiais, que caíram dos 178 bilhões de euros em 2014 para os atuais 75 bilhões. Como a economia subsidiária e protecionista de estilo socialista domina na Argélia, milhares de jovens se viram forçados à imigração irregular, tendo a França e a Espanha como destinos favoritos. Nesse meio tempo, o novo presidente Abdelmadjid Tebboune passou um tempo considerável afastado das suas funções enquanto tratava um problema de saúde na Alemanha.

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