Bolsonaro cogitou colocar o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança no Itamaraty

Presidente não vai demitir o assessor internacional Filipe Martins e procura nova função para Ernesto Araújo após sua saída do Ministério das Relações Exteriores

Por pouco o Brasil não teria um príncipe como chanceler. O nome do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança chegou a ser avaliado para ocupar o Ministério das Relações Exteriores. E a indicação foi do deputado Eduardo Bolsonaro, que tem forte influência nesta área do governo. O deputado ocuparia em nome do PSL a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, mas o PSDB acabou se definindo pela comissão e indicou o deputado Aécio Neves, frustrando a articulação de Eduardo Bolsonaro para colocar “o príncipe”, como é chamado o deputado na Câmara, nesta função. Na troca de ministros, a ideia era colocar o deputado como ministro, já que ele tem afinidade com a área internacional. Perguntado sobre o porquê do próprio deputado Eduardo Bolsonaro não assumir a função, ele respondeu irônico: “Está doido! Seria mais polêmico e mais radical do que o Ernesto, não daria certo”. 

Os aliados do governo também não acharam prudente colocar no governo um integrante do PSL, no momento em que a pacificação no partido está em andamento. É a estratégia de unificar o grupo, receber de volta o presidente Jair Bolsonaro para disputar a reeleição e se fortalecer. O PSL tem adotado como estratégia a ocupação de espaços políticos importantes. Foi assim que a deputada Bia Kicis foi levada à presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde trava uma guerra particular com partidos de esquerda. O presidente do partido, deputado Luciano Bivar, acabou na primeira secretaria da Câmara, o segundo cargo mais importante da Casa.

Sem a aprovação do deputado Philippe para o Itamaraty, a saída do governo por um nome próximo do presidente foi rápida. De início, indicações de senadores foram descartadas. O senador Fernando Collor de Mello nem chegou a constar como um dos possíveis. Restaram os embaixadores nos Estados Unidos, Nestor Forster, e na França, Luis Fernando Serra, mas o grupo do presidente queria um nome próximo e que levasse em frente a política do grupo do presidente. A decisão então foi para o assessor e ex-chefe do Cerimonial da Presidência, o diplomata de carreira Carlos Alberto Franco França, considerado como integrado à família. “Ele convive no dia a dia com o presidente e sabe o que ele pensa sobre a política internacional”, afirma o deputado Eduardo Bolsonaro. Uma confirmação que muda o nome, mas não a linha das relações internacionais. Novas disputas estão previstas.  

Ernesto Araújo continua aliado e no governo. Novas funções para o ex-ministro estão sendo articuladas. A decisão de troca se deu diante da realidade, já que o cerco no Congresso está tão grande que ele não teria nenhuma possibilidade de acesso à política. Nomes de embaixadores, indicações para missões, tudo estaria travado na Comissão de Relações Exteriores, presidida pela senadora Kátia Abreu, que entrou em rota de colisão com o ministro e foi apoiada pelos colegas senadores. O governo seria prejudicado. Nesta mexida toda, o governo conseguiu proteger o assessor especial para assuntos internacionais, Filipe Martins, aquele que fez gestos obscenos nas costas do presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco. Ele foi defendido por entidades judaicas sobre a possibilidade do gesto ser uma defesa da supremacia branca.

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