Na CCJ, aliada de Lira critica Bia Kicis por incitar motim: ‘Perceba a liturgia do cargo que ocupa’

Margarete Coelho (PP-PI) pediu que presidente da comissão ‘abra mão de certas posturas pessoais’; no Twitter, deputada chamou de ‘herói’ o policial militar que atirou contra colegas do Bope em Salvador

Na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados desta terça-feira, 30, a presidente do colegiado, Bia Kicis (PSL-DF) foi criticada por parlamentares por uma publicação, feita em seu perfil no Twitter, em que incitava um motim em razão da morte do soldado da Polícia Militar da Bahia, Wesley Soares Góes, que atirou contra colegas do Bope em Salvador, no domingo, 28. Na segunda-feira, a parlamentar bolsonarista chamou o servidor de “herói” e associou o caso às medidas restritivas de combate ao coronavírus adotadas pelo governador do Estado, Rui Costa (PT) – diante da repercussão, o post foi apagado. Mesmo com as críticas feitas pelos integrantes do colegiado, a deputada do PSL não reagiu.

Uma das falas mais contundentes partiu da deputada Margarete Coelho (PP-PI), liderança do Centrão e aliada do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). No início de sua exposição, a parlamentar lembrou que a CCJ é “o filtro inicial, [a comissão] que dá o tom e a que tem o maior prestígio após a Mesa Diretora” da Câmara e afirmou que a publicação “não foi um tuíte de uma presidente de uma CCJ”. “Faço um apelo para que Vossa Excelência perceba a liturgia do cargo e da cadeira que ocupa, o tamanho dela. Abra mão de certas posturas pessoais, que são típicas do mandato de Vossa Excelência, em favor da cadeira tão grande e tão importante que ocupa”, disse em outro momento. “Ao invés de estarmos discutindo tantos problemas do Brasil, estamos discutindo a postura de Vossa Excelência com relação a um eleitorado de outro Estado”, concluiu.

Deputados da oposição ao governo Bolsonaro também utilizaram a sessão para criticar a conduta de Bia Kicis. Para a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), a presidente da CCJ “passou de todo e qualquer limite, quando, de forma oportunista, leviana, desrespeitosa, quis usar uma tragédia gravíssima que aconteceu na Bahia, com o soldado Wesley, em um ato claro de adoecimento mental. Tentou fazer disso um factoide político e, com isso, tentou estimular a organização de um motim das forças de extrema-direita dentro das Polícias Militares”. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que esperava um “pedido de desculpas” de Kicis. “A deputada cometeu crimes tipificados no Código Penal, no Código de Processo Penal, e nós vamos ficar calados? É muito grave. O mínimo que a deputada deve é uma autocrítica, um pedido de desculpas ao povo brasileiro”, afirmou.

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