Agronegócio cobra definição do governo sobre mistura do biodiesel ao diesel

Valor era de 13%, mas ministérios reduziram para 10% até junho; argumento é que mudança vai evitar que o consumidor final pague mais caro pelo combustível

O agronegócio quer uma definição do governo sobre qual vai ser o mandato de biodiesel até o fim do ano, ou seja, qual o percentual de mistura do biodiesel ao diesel vendido aqui no Brasil. Até a última semana, o volume obrigatório era 13% de biodiesel no diesel. Mas a regra mudou no meio do jogo com uma nota do Ministério da Agricultura e do Ministério de Minas e Energia anunciando uma correção de rumo momentânea e a redução de 13% para 10% em maio e junho. O argumento do governo para a mudança foi compreensível, evitar que o consumidor final pague mais caro pelo diesel, já que a soja está com preços recordes e ela dá origem ao óleo de soja que é matéria-prima da maior parte do biodiesel brasileiro. Os ministérios disseram trabalhar para fortalecer o mercado de biocombustíveis no Brasil e que os combustíveis demandam zelo redobrado pelo impacto que têm em vários elos da economia. Mesmo assim, a troca repentina nas diretrizes gerou reclamação das entidades do agro. Aprobio e Abiove tentaram que o governo cancelasse a medida, mas não foram atendidas.

A mudança no mandato de biodiesel tem vários efeitos: o primeiro, a incerteza que a intervenção do governo gera no ambiente de negócios ao mudar a regra no meio do jogo; segundo, o impacto no mercado, a consultoria Stonex prevê redução de 23% na demanda de óleo de soja para o bimestre (maio-junho) em relação ao que era esperado com o B13; Abiove prevê queda de 3 milhões de toneladas de soja para cada ponto percentual de redução na mistura e redução de mais de 2 milhões na produção de farelo, fora efeitos como potencial aumento da importação de diesel e mais poluição, já que o biodiesel é considerado combustível limpo. O governo ainda não anunciou o que pretende fazer depois de junho e o agro aguarda definição se o mandato voltará para os 13% ou ficará em 10% até o fim do ano. No agro é tudo assim, muito conectado. Uma decisão impacta vários outros elos, dentro da porteira do agro e fora dela, para todos nós, consumidores.

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