Bolsa fecha dia com leve baixa de 0,02%, a 117 mil pontos

Durante a tarde, Ibovespa parecia a caminho de emendar a segunda alta da semana, chegando a testar a marca de 118 mil pontos; dólar encerrou a R$ 5,60

Com suporte proporcionado pelo dólar a R$ 5,57 na mínima do dia, em sessão discreta embora em boa parte positiva em Nova York, e com petróleo voltando a subir, o Ibovespa parecia a caminho de emendar a segunda alta da semana, chegando a testar a marca de 118 mil pontos nesta terça-feira, não vista desde 22 de fevereiro. O sentimento ganhava alguma força no meio da tarde, quando veio a público conversa entre os presidentes Jair Bolsonaro e Vladimir Putin sobre a compra e fabricação da vacina russa Sputnik V no Brasil, em momento no qual a oferta restrita de imunizantes e insumos ainda limita a vacinação no País. Ao fim, enfraquecido, o Ibovespa mostrava leve baixa de 0,02%, a 117.498,87 pontos, entre mínima de 117.175,98 e máxima de 118 212,60, com giro a R$ 24,9 bilhões. Na semana, sobe 1,95%, com ganho no mês a 0,74% e perda a 1,28% no ano. A moeda americana, por sua vez, fechou o dia a R$ 5,60.

Nos Estados Unidos, a política monetária acomodatícia e os estímulos fiscais ampliados continuam dando ímpeto ao apetite por renda variável, apesar da acomodação observada na tarde desta terça-feira em Wall Street, com Dow Jones em baixa de 0,29% e S&P 500, de 0,10%, no fechamento. “O S&P 500 tem 95% das empresas com tendência acima de suas médias móveis de 200 dias. Com os rendimentos do Tesouro continuando a se distanciar da alta de 1,76% estabelecida no final do mês passado (para o yield da T-note de 10 anos), o Dow Jones e o S&P 500 parecem prontos a continuar batendo novos recordes”, observa em nota Edward Moya, analista da Oanda em Nova York, chamando atenção também para o momento do petróleo, ainda “bullish” na sua avaliação. “O petróleo buscou recuperar hoje as perdas da sessão anterior em meio a preocupações sobre a demanda futura pela commodity, após a Opep+ ter decidido na semana passada que irá realizar aumentos graduais de produção entre os meses de maio e julho, ampliando a oferta”, observa Thayná Vieira, economista da Toro Investimentos. “No cenário doméstico, o avanço no número de casos de Covid-19 e as medidas restritivas impostas pelos estados permanecem gerando cautela, assim como as discussões em torno do orçamento de 2021, pelas incertezas fiscais”, acrescenta.

Nesse contexto, as dúvidas sobre o doméstico vis-à-vis o momento externo, mais favorável, continuam a resultar em especial cautela quanto aos segmentos com exposição à economia interna, como o de maior peso na composição do Ibovespa, o setor de bancos, que registrou nesta terça perdas entre 1,05% (Santander) e 2,00% (Bradesco ON), na ponta negativa do índice na sessão. No lado oposto, Sul América subiu 4,27%, Fleury, 3,90%, CSN, 3,62%, e Usiminas, 3,46%. O dia foi de ajuste negativo para os pesos-pesados das commodities: Vale ON em queda de 1,30%, após estabelecer novo pico no dia anterior, e Petrobras ON -0,75%. “Com a elevação da projeção do PIB para o Brasil pelo FMI, a 3,7%, vimos hoje demanda por ações que ficaram muito para trás, pela exposição que têm à economia doméstica. Com o avanço da vacinação nos próximos meses, essas ações, do setor elétrico, consumo, varejo e shoppings, devem voltar mais. Lá fora, as bolsas dos Estados Unidos batem recorde em cima de recorde, e o crescimento projetado para a China sustenta as commodities e as ações do setor, embora as ligadas ao governo, como Petrobras, sintam ainda esse peso”, observa Leandro Saliba, gestor de renda variável da AF Invest.

*Com informações do Estadão Conteúdo

Deixe um comentario