Cenário atual permite que Selic suba para 3,5% na próxima reunião do Copom, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central afirma que avanço da inflação para 6,1% nos últimos 12 meses encerrados em março é temporário, porém mais persistente do que o esperado

Presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto afirmou nesta sexta-feira, 9, que a Selic deve sofrer novo aumento de 0,75 ponto percentual e ir para 3,5% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), “a não ser que algo extraordinário aconteça” até o encontro marcado para os dias 4 e 5 de maio. O economista, no entanto, ponderou que a decisão “não está escrita em pedra” e que deve variar de acordo com o cenário. “Sempre explicamos que o Banco Central pode mudar. A cada reunião do Copom, a primeira pergunta a se fazer é se precisamos mexer nos juros, e quanto deve ter de estímulos”, afirmou. “Hoje, com as variáveis que nós temos, a não ser que algo extraordinário aconteça, podemos continuar com o que foi comunicado”, disse em um evento promovido pela XP Investimentos. 

A taxa de juros é a principal ferramenta do BC para controlar a inflação, que sofreu avanço de 0,93% em março e acumula alta de 6,1% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice está acima dos 5,25% do teto da meta perseguida pela autoridade monetária, com centro de 3,75% e piso de 2,25%. Segundo Campos Neto, o avanço, que veio abaixo do esperado pelo mercado, indica que as pressões inflacionárias são temporárias, apesar de afirmar que o movimento de alta está mais duradouro do que o esperado. “Estamos vendo um choque, e entendemos que está sendo disseminado e se dissipando. É mais persistente do que a gente pensou, mas estamos respondendo a isso.”

O Copom surpreendeu o mercado ao acrescentar 0,75 ponto percentual na Selic em março, o primeiro movimento de alta em quase seis anos. Segundo Campos Neto, a permanência da taxa de juros a 2% ao ano não se justificava mais diante da queda do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo do esperado. “A taxa de 2% foi colocada para um cenário que não se materializou”, afirmou, ao citar que algumas previsões estimavam recuo de até 9% da economia, enquanto que a queda ficou em 4,1%. O presidente do BC também afirmou que espera pela abertura econômica no segundo semestre após a vacinação em massa da população, e disse que o país aprendeu a lidar melhor com a pandemia da Covid-19, mesmo com a piora no número de infecções e vítimas fatais. “Ainda há bastante incerteza, o Brasil não é campeão em vacinas, mas estamos indo relativamente bem em relação a outros países.” 

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