Cúpula do Clima: Líderes mundiais comemoram decisão dos EUA de zerar emissões de carbono até 2050

Boris Johnson, Angela Merkel e Emmanuel Macron apreciaram o anúncio de Joe Biden, enquanto o discurso de Vladmir Putin refletiu a tensão entre a Rússia e a Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, abriu a Cúpula de Líderes sobre o Clima nesta quinta-feira, 22, destacando os aspectos econômicos da luta contra as mudanças climáticas e prometendo cortar a emissão de gases do efeito estufa pela metade até o fim da década. “Isso colocará o país no caminho para zero emissões em 2050”, afirmou. O anúncio foi bem recebido pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, um dos 40 líderes mundiais que estão participando virtualmente da reunião devido à pandemia do novo coronavírus. O líder britânico disse estar “muito empolgado” com o anúncio feito por Biden, visto que o Reino Unido foi o primeiro país do mundo a aprovar uma legislação que estabelece a meta de zerar as emissões de CO2 até 2050. “Estamos trabalhando com o mundo todo, das menores nações às maiores economias, para assegurar o compromisso de manter a mudança climática abaixo de 1,5°C e acho que nós conseguiremos”, afirmou. O primeiro-ministro defendeu que, para isso, é necessário unir esforços científicos em nível internacional para criar soluções tecnológicas de captura de carbono e zero emissão de CO2. Tudo isso, segundo ele, deve ser feito de modo sustentável, combatendo ainda as perdas de espécies e habitats.

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, também abriu o seu discurso comemorando o compromisso de Joe Biden na causa climática, que foi negligenciada pelo ex-presidente Donald Trump nos últimos quatro anos. “Eu estou feliz em ver que os Estados Unidos voltaram a trabalhar conosco em políticas climáticas porque não há dúvidas de que o mundo precisa da sua contribuição se nós queremos alcançar as nossas metas ambiciosas (…). Essa é uma mensagem importante para a comunidade internacional”, defendeu. Em consonância com os recém-anunciados objetivos norte-americanos, Merkel lembrou que a União Europeia também pretende ser neutra em emissões de carbono até 2050, sendo que a meta até 2030 é conseguir reduzir essas emissões em 50% em comparação com os níveis de 1990. A primeira-ministra pontuou que, para isso, 46% de toda a eletricidade produzida na Alemanha no ano passado veio de recursos renováveis e que existe a intenção de acabar com o uso do carvão, que foi importante para o país por muito tempo. Em resposta ao argumento apontado por Boris Johnson sobre a necessidade de preservar habitats e espécies, Merkel expressou também o desejo de proteger a superfície marinha.

Parceiro da Alemanha na União Europeia, o presidente da França, Emmanuel Macron, classificou como “histórica” a decisão dos Estados Unidos de zerar as suas emissões de carbono até 2050. No entanto, ele defendeu que todos os países precisam se “mover mais rapidamente” em seus compromissos climáticos, ilustrando que “2030 é o novo 2050”. O discurso do chefe de governo também foi bastante voltado para a defesa da inclusão de custos ambientais no comércio de bens e serviços e na criação de uma regulamentação internacional em relação ao CO2. “Se não definirmos um preço para o carbono, não haverá transição (…). Não pode haver ação ambiental se não já justiça climática”, afirmou.

Tensão entre Rússia e Estados Unidos

Diferente dos outros líderes mundiais, o presidente da Rússia, Vladmir Putin, não fez menções diretas ao anúncio dos Estados Unidos e tampouco apresentou números concretos em relação às suas metas de redução do CO2. O chefe de governo disse apenas que, dentro das prioridades econômicas nacionais, está contemplada a tarefa de “limitar” essas emissões até 2050. Putin defendeu que não basta reduzir novas emissões, mas também absorver o CO2 que já está acumulado na atmosfera, o que a Rússia estaria fazendo mais do que outras nações graças ao seu ecossistema. “Nós precisamos levar em conta todos os fatores”, pontuou. Ainda assim, o presidente garantiu que o país “trata os compromissos internacionais com máxima responsabilidade”, mencionando especificamente o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris. Recentemente, os Estados Unidos e a Rússia trocaram sanções econômicas e expulsões de diplomatas porque a Casa Branca está acusando o Kremlin de espionagem cibernética, suposta interferência nas eleições presidenciais de 2020 e ações irregulares na Ucrânia e no Afeganistão.

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