Índia supera Brasil e se torna 2º país com mais casos de Covid-19

Com taxa de vacinação per capita baixa, nação asiática registrou um recorde de 168.912 novas infecções nas últimas 24 horas e chegou ao total de 13,53 milhões desde o início da pandemia

A Índia ultrapassou o Brasil e se tornou nesta segunda-feira, 12, o segundo país com mais casos acumulados de Covid-19 no mundo. De acordo com o Ministério da Saúde da Índia, a nação asiática registrou um recorde de 168.912 novas infecções nas últimas 24 horas e dessa forma chegou ao total de 13,53 milhões desde o início da pandemia do novo coronavírus. O Brasil acumula 13,48 milhões de contaminações e os Estados Unidos, líder do ranking, 31,2 milhões. Porém, comparativamente a Índia possui um índice de mortalidade baixo: ela registra 170 mil óbitos por Covid-19, bem atrás dos Estados Unidos (562 mil) e do Brasil (353 mil).

Em fevereiro, as autoridades indianas retiraram a maior parte das restrições contra a Covid-19 e a população deixou de usar máscara e respeitar o distanciamento social. Ainda assim, as autoridades locais atribuem o agravamento da pandemia na Índia ao surgimento de cepas mais infecciosas do coronavírus. “A nova variante, ou variantes, provavelmente explica muito disto, em vez de uma explicação simplista de comportamento”, defendeu Rajib Dasgupta, chefe do Centro de Medicina Social e Saúde Comunitária da Universidade Jawaharlal Nehru de Nova Déli. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou os resultados de um estudo que indicou a presença das cepas do Reino Unido, da África do Sul e do Brasil na Índia, além de uma variante com mutação dupla que ainda não tinha sido catalogada em nenhum lugar do mundo.

Campanha de vacinação

Maior fabricante mundial de vacinas, a Índia também já aplicou 77 milhões de doses desde o início de sua campanha de vacinação contra a Covid-19 em meados de janeiro. Isso faz com que o país possua o terceiro maior número absoluto do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos (161 milhões) e para a China (133 milhões). No entanto, a taxa de vacinação per capita ainda é baixa no segundo país mais populoso do mundo: são 5,51 doses a cada 100 habitantes, atrás da média mundial que é de 8,33. Diante dessa situação, o primeiro-ministro Narendra Modi ter impedido as exportações das vacinas de Oxford produzidas no Instituto Serum. O objetivo é garantir que as doses sejam usadas para acelerar a campanha de imunização da própria Índia.

A entidade, por sua vez, solicitou ao governo um financiamento de 30 bilhões de rúpias, o equivalente a R$ 2,2 bilhões, para aumentar a sua capacidade de produção. A cada dia, o Instituto Serum produz mais de duas milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford, que são vendidas à Índia por um preço muito menor do que o cobrado no exterior para exportação. Como a venda para países estrangeiros não está acontecendo, a entidade ficou com um déficit orçamentário. “Deveríamos exportar e obter o financiamento dos países, mas agora isto não está acontecendo e temos que encontrar outras formas inovadoras de aumentar nossa capacidade”, justificou o diretor-geral Adar Poonawalla. Ele acrescentou ainda que, mesmo dando prioridade às necessidades dos indianos, o Instituto Serum não consegue atender toda a população do país.

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