Jovem Pan e Instituto Brasil 200 lançam campanha de ajuda humanitária às comunidades de SP

Objetivo do projeto é arrecadar R$ 500 mil, que serão revertidos em doações de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade social

A pandemia da Covid-19, que completou um ano no Brasil, elevou o desemprego e secou a renda de muitas famílias, o que provocou o aumento da pobreza e da fome no país. Para ajudar as famílias, a Jovem Pan inicia nesta segunda-feira, 5, em parceria com o Instituto Brasil 200, uma campanha para arrecadar alimentos. A iniciativa prevê arrecadar R$ 500 mil, que serão revertidos em doações de cestas básicas, cada uma no valor de R$ 50. Três ONGs ajudarão a distribuir as doações: G10 Favelas, que reúne cerca de 300 comunidades em todo o país; Pequeno Mestre, que atende mais de 1.300 famílias no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo; e a instituição social Patris, que acolhe crianças e adolescentes em contraturno escolar. As doações em dinheiro podem ser feitas por meio do site www.brasil200.com.br/doe/ por PayPal, PagSeguro ou PIX. Quem preferir doar alimentos pode entrar em contato por meio das redes sociais, como o Instagram, ou pelo WhatsApp. Vale lembrar que, apesar das doações serem destinadas a comunidades de São Paulo, a campanha não se restringe ao Estado de São Paulo, ou seja, pessoas de todas as regiões do país podem ajudar.

O pior momento da pandemia da Covid-19 até agora exige atenção. “Estamos com milhões de desempregados, pessoas há mais de um ano sem trabalhar. A situação está difícil para todo mundo, imagina nas comunidades. Nosso objetivo é unir esforços para arrecadar uma grande quantidade de alimentos”, afirmou Gabriel Kanner, presidente do Instituto Brasil 200. Apenas em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, pelo menos 10 mil famílias precisam de doações de cestas básicas para sobreviver. No ano passado, a comunidade conseguiu distribuir dez mil marmitas por dia para as pessoas mais necessitadas. Mas, nos últimos meses, as doações diminuíram, e consequentemente as refeições doadas também. Agora são apenas 500 por dia. A situação é dramática, segundo o líder comunitário Gilson Rodrigues. “O panorama que estamos vivendo aqui em Paraisópolis, e que estamos vivendo na maioria das favelas do Brasil, é um panorama de fome e desemprego. O novo normal está representando menos comida na mesa, está representando uma fila de pessoas que chegam aqui que, por vezes, a comida acaba e a fila continua.”

Uma das pessoas afetadas é a dona Odete Camargo, que conseguiu garantir neste domingo, 4, as refeições da família para esta semana através de doações. A situação financeira, que já não era fácil, foi agravada pela pandemia de Covid-19. Com os seis filhos desempregados, é ela quem ajuda a alimentar os 19 netos. “Eles vêm à tarde, ela vem e deixa eles comigo: ‘Vó, o que tem para comer?’ Não tem mistura, pode ser? Eles falam ‘pode, vó’. Comem feijão e arroz, o que tiver eles comem”, conta Odete. A aposentada Maria Raldão de Barros, mais conhecida como Tida, enfrenta a mesma dificuldade. Neste domingo, ela ganhou uma cesta básica, que ajudará a alimentar as oito pessoas que moram com ela. “Dou graças a Deus de ter essa cesta básica. Cinco quilos de arroz dá para passar uns quatro ou cinco dias em casa.”

*Com informações da repórter Nicole Fusco

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