‘Não adianta ter dinheiro; nenhum negro escapa do racismo no Brasil’, diz head de diversidade da Nestlé

Helen Andrade lembrou da importância de incluir pessoas com deficiência, LGBTQI e mais velhas na empresa; apesar de 46% dos funcionários da companhia serem pretos ou pardos, executiva disse que é necessário evoluir para posições de liderança

O programa “Mulheres Positivas“, da Jovem Pan, desta segunda-feira, 5, teve como entrevistada a head de diversidade e inclusão da Nestlé, Helen Andrade. A convidada da apresentadora Fabi Saad falou sobre como o racismo moldou a trajetória dela e sobre como as ações são essenciais para poder conscientizar a população. “Minha trajetória foi uma trajetória de bastante resiliência e persistência. Eu entendo que eu cheguei até aqui, óbvio, não só por mérito meu. Tiveram várias pessoas que me ajudaram, mas a resiliência é importante para quem quer chegar em uma posição de liderança, seja aonde for, e sendo negro em um país como o nosso. Ninguém escapa. Não adianta ter dinheiro ou ter estudado nas melhores escolas. Quando você vive em um país que é um país racista, ainda, espero que a gente evolua, esse tema vem e é a cor da pele”, opinou. Além da resiliência, Andrade lembrou da importância de você saber onde você quer chegar e de ter uma meta para conquistar os desejos na carreira.

Ela ressaltou que aqueles que são vítimas de racismo hoje precisam denunciar os casos sofridos sem esquecer que isso é crime. Atualmente, a Nestlé no Brasil tem 46% dos funcionários autodeclarados como pretos e pardos. “O que é ótimo, mas ainda precisamos evoluir para as posições de liderança”, lembrou. Para ela, ter um CEO que apoia a inclusão da diversidade na marca é essencial. Agora, os funcionários recebem um programa de monitoria e são acompanhados durante seis meses por outros executivos da Nestlé. Além das questões de racismo, as discussões de gênero — como a necessidade de colocar mais mulheres em cargos de liderança –, e de incluir pessoas LGBTQI, pessoas com deficiência e pessoas mais velhas na empresa são vistas como essenciais.

Vida pessoal

Com um filho de nove anos, Helen Andrade lembrou que conciliar a carreira com a maternidade não é fácil, e que uma rede de apoio é essencial para que a logística funcione. “Às vezes a gente se sente um pouco culpada, mas é a vida. É tudo misturado ser mãe, ser executiva, ter a casa, a minha mãe que também precisa da minha presença, é dar um jeito”, afirmou. Quando ainda tinha 30 anos e trilhava o caminho para ser uma executiva, ela descobriu um câncer de mama. “Naquele momento tudo desaba, porque a perspectiva de que tem um fim e que aquilo pode ser um fim te tira o chão”, lembrou. Ela fez quimioterapia por dois anos, pediu demissão e fez uma pausa na carreira para cuidar de si mesma. Ao voltar para o Brasil, continuou a trajetória profissional até chegar no cargo que tem hoje. “A gente precisa respeitar o que a vida está dando para a gente”, recordou.

A head de diversidade, que diz ter nascido em uma família de mulheres fortes, lembra que o apoio foi essencial para crescer na própria carreira e que, com esse background bem estruturado, cumpriu o seu papel não desistindo, mesmo diante de uma série de nãos. “Deu errado eu choro, eu fico triste, fico frustrada, mas fico por pouco tempo. Eu sei que vai passar. A frustração faz parte do trabalho de todo mundo. Quem está fazendo, erra.” Para ela, ficar trancada na própria frustração faz com que pessoas se fechem para outras oportunidades. Como livro indicado, Helen lembrou da obra “Mindset: a psicologia do sucesso”; como mulher admirável ela citou Luiza Helena Trajano e como filme que a marcou ela disse “À Procura da Felicidade”, que trouxe para ela lições de perseverança.

Confira o programa “Mulheres Positivas” desta segunda-feira, 5, na íntegra:

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