Para diretor da Abin, jornalista que divulgou suposto relatório para defesa de Flávio queria ‘assassinar reputação’

Alexandre Ramagem foi entrevistado pelo ‘Os Pingos Nos Is’ e falou sobre inquéritos instaurados para investigar supostos documentos enviados à defesa de Flávio Bolsonaro

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, explicou nesta quinta-feira, 8, ao programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, detalhes sobre a sindicância interna da Abin que concluiu que o relatório sobre o caso Flávio Bolsonaro era falso e foi elaborado por um servidor da agência que enviou o material à imprensa. O caso surgiu no final de 2020, quando alguns veículos de comunicação afirmaram que a agência teria produzido documentos para a defesa do senador na investigação que ele enfrenta sobre as rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo Ramagem, o servidor foi afastado do cargo, responde a processos e foi alvo de mandados de busca e apreensão no ambiente de trabalho e em casa nesta quarta-feira, 7.

De acordo com Ramagem, uma reunião com a defesa do parlamentar e o Gabinete de Segurança Institucional foi marcada em agosto de 2020 a pedido da defesa para falar de potenciais riscos de “instabilidade institucional”, mas a conversa foi sobre questões internas e judicializadas que não seriam de competência de nenhum dos dois órgãos. “Dessa reunião nunca mais tivemos contato com a advogada de defesa, nem antes, nem depois”, afirmou. Ele lembrou que as notícias sobre um suposto relatório geraram duas sindicâncias, uma delas sobre a violação de sigilo funcional e outra para verificar se houve relatório ou, caso o relatório tenha sido falso, se ele tinha sido fabricado dentro das instalações da agência. “A sindicância concluiu que não houve qualquer participação da Abin, o senador veio à público e disse que não recebeu nenhum relatório ou informações sobre esses temas, a advogada não apareceu até o momento, o jornalista informa que tem uma entrevista com a advogada, mas isso não isenta qualquer possível responsabilidade do jornalista, porque as mentiras são tão desconexas, ainda mais quando a PGR requisitou a apresentação da íntegra dos relatórios”, afirmou.

Segundo ele, o texto completo do suposto relatório veio à íntegra algum tempo depois e uma série de trechos suprimidos pelo jornalista demonstrariam “cabalmente” que o diretor da agência não poderia ter produzido aquele conteúdo. Além disso, para o diretor, as discrepâncias provam que o jornalista queria “algum contexto parco para poder providenciar o legítimo assassinato de reputação”. Segundo ele, uma auditoria mostra que nenhum dos materiais divulgados à imprensa foi construído dentro das instalações da agência. “O que se verifica é que é um texto de Whatsapp, que poderia ter sido, pode, foi construído por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, que não se utilizou da Abin, que se utilizou da sua própria cabeça, e querem aferir isso como uma Abin paralela sem qualquer fundamento e sem qualquer relação”, disse.

Confira o programa “O Pingos Nos Is” desta quinta-feira, 8, na íntegra:

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