Pediatras alertam sobre perigos da baixa vacinação nas crianças

Mesmo com pandemia, pais não devem atrasar imunização das crianças com outras vacinas, como a pentavalente, aplicada após o segundo mês de vida

Maria do Carmo Victoria sempre manteve a carteirinha de vacinação dos filhos em dia. Desde o início da pandemia, no entanto, a prioridade mudou. Ela relata que o medo da contaminação pela Covid-19 fez com que atrasasse uma das doses da Laura, de 4 anos. “Sempre dei todas as vacinas possíveis, inclusive aquelas vacinas que só têm em particular, mas no ano passado e nesse ano também eu acabei deixando de fazer essa vacina na Laura por receio de ir até uma clínica de vacinação”, explicou. Para tentar driblar o problema, Maria do Carmo tem procurado clínicas particulares que vacinem as crianças dentro de casa.

O pediatra da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Marco Aurélio Safadi, alerta que não é preciso tanto medo. Ele reforça que é possível imunizar as crianças tomando todos os cuidados e ressalta que a Covid-19 pode ser um problema menor do que algumas doenças infantis. “Muitas das doenças que são alvo dessas vacinas, especialmente nos primeiros anos de vida, representam para a população pediátrica provavelmente um risco até mesmo muito maior de formas graves de doença do que a própria Covid-19. Por exemplo, a coqueluche, que é uma doença dramática quando ocorre nos primeiros meses de vida. Então, atrasar a primeira dose da vacina da coqueluche, que está dentro da vacina pentavalente e é feita a partir dos dois meses de idade, traz um risco inquestionável para essas crianças, de uma doença que pode ser devastadora. Marco Aurélio Safadi lembra que além de cuidados como álcool em gel e distanciamento, crianças acima de dois anos podem usar máscara se conseguirem. Por isso, junto com a Sociedade de Pediatria de São Paulo, o médico participa da campanha Abril Azul – Confiança nas vacinas: eu cuido, eu confio, eu vacino.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini 

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