Publicações relacionadas à vitória de Chloé Zhao no Oscar são retiradas das redes sociais da China

“Nomadland”, que levou o prêmio de melhor filme, foi retirado de cartaz no país nesta segunda-feira, 26; meios de comunicação chineses também não noticiaram o resultado da premiação

Chloé Zhao se tornou neste domingo, 25, a primeira asiática e a segunda mulher a conquistar o Oscar de melhor direção pelo seu trabalho em “Nomadland“, que também levou o prêmio de melhor filme. Como os meios de comunicação da China geralmente celebram o reconhecimento de seus cidadãos no cenário global, a expectativa era que a conquista histórica tivesse uma grande repercussão no país natal da cineasta. Ao invés disso, no entanto, as plataformas de mídia social chinesas excluíram ou limitaram a circulação de matérias e outras postagens relacionadas à cerimônia do Oscar e à vitória de Zhao. Na plataforma Weibo, por exemplo, a busca pelo assunto leva à seguinte mensagem: “De acordo com as leis, regulamentos e políticas relevantes, a página não foi encontrada”. Para contornar a censura, muitos fãs começaram a utilizar homônimos e jogos de palavras ao discutir a premiação.

Nenhuma razão oficial foi apresentada para a decisão do governo, mas é de conhecimento comum que a diretora fez comentários críticos sobre a China no passado. Em 2013, durante uma entrevista a uma revista de cinema norte-americana, Zhao disse que o seu país era um lugar “onde há mentiras por toda a parte”. No seu discurso de vitória na noite deste domingo, 25, porém, ela recitou um poema chinês que diz que todas as pessoas nascem inerentemente boas. De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, o filme “Nomadland” foi retirado de cartaz na China nesta segunda-feira, 26. No mês passado, as pesquisas nas redes sociais por “Nomadland” em chinês já tinham sido bloqueadas, assim como o material promocional do filme, que, no entanto, chegou a ser lançado com atraso nos cinemas.

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