Saiba quais são os sintomas do TDAH e por que a banalização em torno deste transtorno é preocupante

Exigências do mundo moderno e interesses da indústria farmacêutica levam a aumento irresponsável do número de diagnósticos; distúrbio deve ser levado a sério, pois pode provocar até acidentes de trânsito

Hoje eu vou falar sobre um tema polêmico e controverso: o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido como TDAH — e os aspectos deste distúrbio, um dos mais discutidos pela literatura científica atual. Primeiramente, a medicina considera o TDAH como um comportamento dimensional. É como na hipertensão arterial, em que você define que o indivíduo tem este traço observando a distribuição da pressão arterial. No momento em que as medidas extremas de pressão passam a trazer prejuízos, determina-se o ponto de corte que define aquela condição ou doença. O mesmo ocorre com a distribuição dos sintomas da desatenção, da hiperatividade e da impulsividade.

O senso comum nos diz que algumas crianças têm mais energia e, por isso, são mais agitadas que os adultos. Da mesma forma, adolescentes podem ser mais impulsivos e distraídos, coisas da idade! Às vezes, quando essas características são identificadas nos filhos, a tendência é pensar: “Ok, isso é normal. Vai passar quando crescer”! Esta visão, no geral, está correta. É preciso mesmo tomar cuidado para não interpretar sentimentos e comportamentos normais — ou decorrentes de algo que a criança ou adolescente esteja passando — como sintomas patológicos. Por outro lado, em uma parcela reduzida de casos, quando a agitação, distração ou impulsividade são muito intensas, ou seja, quando determinadas pessoas se encontram no extremo destes traços, há a chance de ser dado o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Os primeiros sinais aparecem na infância e atingem aproximadamente 5% das crianças e 2,5% dos adultos. Ao contrário do que se diz, essas taxas provavelmente não vêm aumentando com os anos. Tem, sim, havido um crescimento irresponsável do número de pessoas identificadas e tratadas erroneamente para TDAH. Isso pode ser decorrente de vários fatores, entre eles uma banalização do ponto de corte do transtorno, em resposta às exigências de desempenho do mundo moderno ou dos interesses da indústria farmacêutica mundial. É importante levarmos a sério a discussão, pois estudos mostram que os indivíduos com esse diagnóstico têm maior chance de se envolver em acidentes domésticos, desaprovação e retenção escolar. E, quando adultos, em acidentes de trânsito ou gravidez indesejada. Quer fazer um comentário ou sugerir algum tema? Escreva para mim: [email protected] ou no Instagram @dra.camilamagalhaes. Até a próxima!

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