Semana começa positiva na economia, mas debate sobre Orçamento pressiona mercado

Taxa de câmbio abriu a semana em queda, e prévia do PIB ficou dentro das projeções; Bolsonaro tem até quinta para decidir sobre vetos no projeto de gastos públicos

A semana até que se iniciou em tom positivo. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de fevereiro veio no teto das projeções do mercado, com avanço de 1,7% em relação ao mês anterior, e levou alguns colegas a elevarem suas estimativas para o PIB do primeiro trimestre para algo próximo à estabilidade. Havia um temor – ainda bastante factível – de termos uma retração no primeiro trimestre, dado que em março a pandemia piorou muito, forçando novas fortes medidas de restrição de mobilidade. Falamos duas semanas atrás da resiliência que a economia brasileira adquiriu nesta crise.

E entre olhar o copo meio cheio ou meio vazio, os mercados começam a escolher o meio cheio. Ainda mais após as atuais pesquisas e estimativas mostrarem que os grupos de risco da Covid-19 devem estar vacinados até junho (por favor!) e boa parte da população adulta deve ser vacinada até outubro, considerando o calendário de vacinação do governo. Digo mais, após semanas sombrias, o número de mortes começa a diminuir (ainda estamos na triste marca de mais de 1.500 vidas perdidas diariamente) e dar margem para flexibilização do isolamento social em algumas capitais. Neste sentido, a expectativa de recuperação econômica nas grandes potências, como os Estados Unidos e a China, além de algum avanço da vacinação em países da Europa, tem gerado bom humor nos mercados internacionais. Será que avistamos, de fato, o final da pandemia? 

Neste pequeno frenesi, as ações das empresas brasileiras abriram a semana em alta e a bolsa de valores acima de 120 mil pontos. Além disso, tivemos uma sinalização positiva vinda da maior empresa do Brasil: o novo presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, disse que não vai renunciar à Paridade de Preços de Importação (PPI), o que trouxe tranquilidade aos mercados após as sucessivas altas dos combustíveis culminarem na demissão do antecessor. E até a taxa de câmbio, a variável mais teimosa do mercado, que cisma em apontar e precificar os riscos associados ao Brasil, abriu a semana em queda, chegando a ser cotada no primeiro pregão da semana em R$ 5,53. Céu de brigadeiro? Novo nível? Bom, se acham factível esse nível do câmbio… Vale lembrá-los que as atenções seguem concentradas no quadro fiscal. O presidente Jair Bolsonaro tem até a próxima quinta-feira para decidir sobre eventuais vetos ao Orçamento deste ano. Há quem diga que essa discussão não acaba nesta semana. Em outras palavras, há espaço para mais pressão na taxa de câmbio e pessimismo na bolsa de valores. 

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